sábado, 5 de junho de 2010

Gregório de Matos


À SUA MULHER ANTES DE CASAR

Discreta, e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:

Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:

Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.

Oh, não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sobra, em nada.

Gregório de Matos



     Buscando o Cristo Crucificado um Pecador com Verdadeiro Arrependimento

     A vós correndo vou, braços sagrados,
     Nessa cruz sacrossanta descobertos,
     Que, para receber-me, estais abertos,
     E, por não castigar-me, estais cravados.

     A vós, divinos olhos, eclipsados
     De tanto sangue e lágrimas cobertos,
     Pois, para perdoar-me, estais despertos,
     E, por não condenar-me, estais fechados.

     A vós, pregados pés, por não deixar-me,
     A vós, sangue vertido, para ungir-me,
     A vós, cabeça baixa, pra chamar-me.

     A vós, lado patente, quero unir-me,
     A vós, cravos preciosos, quero atar-me,
     Para ficar unido, atado e firme.

  


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